quinta-feira, 3 de abril de 2008

A GARDÊNIA BRANCA

Marsha Arons

Todos os anos, no dia do meu aniversário, desde que completei doze anos, uma gardênia banca me era entregue anonimamente em casa. Não havia nunca um cartão ou um bilhete e os telefonemas para o florista eram em vão, pois a compra era sempre feita em dinheiro vivo. Depois de algum tempo, parei de tentar descobrir a identidade do remetente. Apenas me deleitava com a leveza e o perfume estonteante daquela única flor, mágica e perfeita, alinhada em camadas de papel de seda cor-de-rosa.

Porém nunca parei de imaginar quem poderia ser o remetente. Alguns de meus momentos mais felizes eram passados sonhando acordada com alguém maravilhoso e excitante, mas tímido ou excêntrico demais para revelar sua identidade. Durante a adolescência foi divertido especular que o remetente seria um garoto por quem eu estivesse apaixonada, ou mesmo alguém que eu não conhecia e que havia me notado.

Minha mãe freqüentemente alimentava as minhas especulações. Ela me perguntava se havia alguém a quem eu tivesse feito uma gentileza especial e que poderia estar demonstrando anonimamente seu apreço.

Minha mãe fez o que pôde para estimular minha imaginação a respeito da gardênia. Ela queria que seus filhos fossem criativos. Também queria que nos sentíssemos amados e queridos, não apenas por ela, mas pelo mundo como um todo.

Quando estava com dezessete anos, um rapaz partiu meu coração. Na noite em que me ligou pela última vez, chorei até pegar no sono. Quando acordei pela manhã, havia uma mensagem escrita com batom vermelho em meu espelho: “Alegre-se, quando semideuses se vão, os deuses vêm.” Pensei a respeito daquela citação de Emerson durante muito tempo e a deixei onde minha mãe a havia escrito até meu coração sarar. Quando finalmente fui buscar o limpa-vidros, minha mãe soube que estava tudo bem novamente.

Mas houve certas feridas que minha mãe não pôde curar. Um mês antes de minha formatura no segundo grau, meu pai morreu subitamente de enfarte. Meus sentimentos variavam de dor a abandono, medo, desconfiança e raiva avassaladora por meu pai estar perdendo alguns dos acontecimentos mais importantes da minha vida. Perdi totalmente o interesse em minha formatura que se aproximava.

Na véspera do baile, encontrei o vestido que escolhera com meu pai – pelo qual havia perdido totalmente o interesse – esperando por mim. Eu podia não me importar em ter um vestido novo, mas minha mãe sim. Ela estava atenta à imagem que seus filhos tinham de si mesmo.

Inibiu-nos com uma sensação de mágica no mundo e nos deu a habilidade de ver a beleza mesmo em meio à adversidade. Na verdade, minha mãe queria que seus filhos se vissem como a gardênia – graciosos, fortes, perfeitos, com uma aura de mágica e talvez um pouco de mistério.

Minha mãe morreu quando eu estava com vinte e dois anos, apenas dez dias depois do meu casamento. Esse foi o ano em que parei de receber as gardênias.

5 comentários:

Zelita disse...

Oi! Adorei esse texto! Mostra bem o que é ser uma mãe especial, né? Espelhemo-nos nela então!
Beijos... Zel.

Anônimo disse...

Saudosos TI,NICK,DÊ,Vovó Z,Tio G, foto linda de suas amiguinhas de infância.Que sejam como as minhas até o dia de Hoje, mesmo longe os corações estão sempre perto; e todas casadas.
Vi, Nick depois da aula estava um gato, abracei c/ saudades e perguntei de TI, e seu irmazinho respondeu que Você estava no Ballet.
Nossa muito inteligente, como Você.
Dê envie abraços p/ Gigi e Paulinho estamos orando muito p/ sua recuperação.
Beijokas nos corações de todos e tb. p/ o novo Dog da Família.O DOG é lindo e muito fofo.
C/ carinho.
Tia VICKY/L/MM.

Mamãe Coruja disse...

Olá tudo bem, estou começando com um blog e passando em varios blos encontrei o seu, parabéns está muito bonito, que estória mais emocionante.
Poderia te add nop meu blog .

Beijos

Sandra disse...

Oi querida,
Que mensagem mais linda!!! Me emocionei.
Vim retribuir a visitinha. Saiba que nunca esqueço de vc e seu lindos filhos. Que Deus abençoe sua familia.
Beijos
Sandra

Anônimo disse...

Olá Denise, apesar de um pouco triste, tal mensagem nos trás liçoes importantes. Valores que só nos damos conta quando irmãos caros regressam a patria espiritual. Tenho certeza de que ha muitas gardenias guardadas em sua memoria e coracao. Deixe que exalem sempre seu perfume e esplendor. Super-beijo. Valerio (Pai do Joao Vitor)