quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

É POSSÍVEL AMAR O DIFERENTE?

Neste texto Cecília conseguiu expressar nossa fragilidade enquanto seres humanos, com sentimentos, emoções e dúvidas. A diferença entre a criança sonhada e a criança recebida, seja ela vinda de uma gestação biológica ou adotiva. O que vale é a capacidade de nos abrirmos para o que já está reservado pra nós. E assim se cumprem os Planos de Deus em nossas vidas. Leiam, vale a pena!

Adoção: Sonho x Realidade
por Cecília A. F. Zelic
Presidente da Associação Projeto Acolher


Que pai ou mãe não sonha sucessos e alegrias para seus filhos? Quem de nós não os vê inteligentes, bonitos, brilhantes, vencedores e admirados? É, portanto, muito comum pais e mães idealizarem seus filhos e, muitas vezes, projetar neles tudo o que gostariam de alcançar...

E isso acontece desde a gestação (biológica ou adotiva) dos nossos pequeninos: “será parecido com a mãe?”, “terá a altura e a força do pai?”, “quem sabe a inteligência do avô ou o gênio da avó!”... Creio não haver nenhum mal nisso... acho mesmo que faz parte da construção de nosso amor por eles.

Mas, às vezes, é preciso reconstruir e repensar estes nossos sonhos, pois a realidade nos surpreende e “derruba” muitas de nossas idealizações e nos coloca diante de realidades diferentes das sonhadas (nem melhores, nem piores, apenas diferentes...). Como lidar com estas realidades diferentes? É preciso refletir sobre elas e nos prepararmos para assumi-las.

Na adoção é comum isso acontecer: desde o momento da decisão até a chegada do filho. Quantos de nós sonhávamos com uma gravidez: a barriga crescendo, o bebê chutando, o nome dele na porta do quarto, um bebezinho com a nossa cara no berçário da maternidade... e, de repente a realidade nos traz... a Infertilidade!
Há que se encontrar, então, um momento de recolhimento, para sofrer a tão grande dor da frustração de não ver o tão almejado sonho realizado... Depois há o momento de se recompor, recomeçar, buscar novos sonhos, de construir novas esperanças e seguir em frente. Daí... novas idealizações!


De repente, o chamado para conhecer uma criança, que nem sempre tem as características solicitadas no momento do cadastro para adoção ou sonhadas durante a longa gestação adotiva. Novamente nos vemos diante do confronto entre Realidade e Sonho!

Além disso, muitas vezes, este é o momento em que nos deparamos com nossos preconceitos e, principalmente, com nossa capacidade ou incapacidade para superá-los...

Será possível amar o diferente? Será possível amar o não sonhado? Podemos amar aquele, cuja história de vida nem sempre nos agrada?

Nossos filhos (biológicos ou não, bebês ou não, fisicamente semelhantes ou não) exigirão de nós esforço ininterrupto, sabedoria e abertura suficientes para suportarmos, aceitarmos e amarmos suas diferenças. Eles certamente nos ensinarão a amar e encontrar a beleza na realidade não sonhada...

2 comentários:

Andreia Galassini disse...

Lindo texto DÊ, ele relata exatamente o que sentimos, desde a frustração até a adoção.
bjs com carinho
Deia e Gui

Luciana disse...

Gestação/Adoção, sabemos que independente de como nossos pequenos vieram, apesar do amor que por eles sentimos é um aprendizado diário de tolerância, compreensão e trabalho.
Li algo bonito na "Pais e Filhos" deste mês: "Não somos nós quem damos a Luz, mas sim, somos iluminados a cada dia por nossos filhos", acho verdade.
Mas "vale a pena" cada insvestimento de carinho, atenção, que temos, principalmente quando vejo a face de minha filha mais nova, que completou 3 mêses, aquele sorriso, lindo, valeu cada susto, cada preocupação com a gravidez de risco, valeu tudo, morreria por ela, e pelos outros também (Fernanda 18, Célio 8, Maria Laura 2)...
Bj,
Luciana